O jornal Folha de São Paulo traz hoje (10/03) matéria da repórter Claudia Antunes que trata de uma palestra feita por FHC na "Casa do Saber", Rio de Janeiro, ocasião em que o ex-presidente tucano fez a defesa doutrinária do liberalismo.
Segundo a matéria, ele define a polarização entre um suposto capitalismo burocrático-corporativo versus o "capitalismo de competição", como sendo a "verdadeira discussão" contemporânea.
À frente ele desqualifica mais de 150 anos de debate teórico entre apoiadores e críticos do liberalismo, reduzindo a carga negativa que há nas palavras "direita" e "liberal", a um problema superficial de modismo: "Liberal e de direita, eu acho feio". Essa é sua explicação para a rejeição aos dois termos.
Mas, sem dúvida, sua maior pérola no esforço de resgatar o sentido "original" do liberalismo, foi dizer que vivemos num país em que o direito individual vem depois do direito coletivo!
Ora, o debate filosófico acerca da relação complexa e contraditória (dialética) entre indivíduo e coletivo já superou, há muito tempo, o dilema miúdo posto por FHC. Desde o século XIX sabe-se que o ser humano é "ser social", que o indivíduo só se realiza plenamente no coletivo. O Robinson Crusoé do século XXI só existe na cabeça do ex-intelectual FHC. Os banqueiros que armaram essa crise internacional que o digam. Defender a primazia do direito individual, sobre o direito coletivo é anacrônico e oportunista.
Sem discurso consistente, só resta aos tucanos propor ao povo a escolha entre "dois capitalismos". E, pelo jeito, eles optaram pela liberdade total ao capital financeiro.
